quinta-feira, 3 de maio de 2018

São elas os homens de hoje...

Performance de Marcelo Sousa Brito
Foto 01: Márcio Lima.
Demais fotos: Alex Oliveira
 
 











quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Parceria com Carol Barreto Atelier

O Coletivo Cruéis Tentadores em parceria com a marca Carol Barreto Atelier prepara mais um experimento: o desfile-video-instalação "Gender Trouble" a ser apresentado dia 22/09/2012 dentro da programação Gayboa do teatro Gamboa Nova. O projeto conta com a participação dos performers Olga Lamas, que é colaboradora do Cruéis (Guilda, Rádio Hibrida,Chame isso como quiser I) e participante do Núcleo VAGAPARA, Jorge Oliveira (outro componente do VAGAPARA), Ia Santache que participou conosco na video instalação Chame isso como quiser II e Nuriko Podestá revelado por Carol Barreto e Romulo Alessandro em um editorial hibrido para a marca. Aliás todas as fotos do processo e que ilustram esse texto são assinadas por Romulo. Carol Barreto pesquisadora e estilista fez o convite ao diretor Marcelo Sousa Brito para esse trabalho inspirado em suas coleções. Os looks criados por Carol estão sempre provocando o público sobre o que é realmente o masculino e o feminino na moda. A estilista sabe como poucos extrapolar as fronteiras entre um campo e outro criando sua própria visão através de suas roupas que podem muito bem envelopar um homem ou uma mulher, desde que se tenha atitude e desejo de não seguir nenhum padrão estético ditado pelas normas da vida em sociedade.
Para traduzir tudo isso o artista francês Jean Dauriac foi convidado para criar um video com todas as etapas que será projetado como imagens de um processo criativo tanto da estilista quando do encenador e dos performers.
Gender Trouble marca mais uma etapa da criativa pesquisa de Carol Barreto em torno do tema gênero. Neste trabalho o título faz uma homenagem ao livro homônimo de Judith Butler, uma das fontes de pesquisa da estilista.
A intenção é que essa parceria se expanda e que o trabalho tome realmente as ruas.
 
 
 
 

 




 

terça-feira, 20 de março de 2012

Mais novidades


O Cruéis Tentadores dialoga com o ateliê JC Barreto, no bairro de São Caetano em Salvador, com os artistas e público frequentador, em mais uma experiência da performance Chame Isso como Quiser.  O vídeo e as imagens são da nossa super Video Maker Gabriela Leite, com as participações de Marcelo Sousa Brito, Tatiane Carcanholo e Ia Santanche

A performance foi realizada na última sexta-feira, dia 16 e no dia 18 auxiliamos a gravação do clipe Beija Flor, do artista Alexi Jazz, no praia de Ipitanga. Confira algumas imagens




segunda-feira, 5 de março de 2012

Novas imagens


Jornadas pedagógicas - Itarantim e Guajeru



Ta Na Rua  com a Omega Cia de Dança




                                                    Movimento Desocupa Salvador




terça-feira, 11 de outubro de 2011

Hollywood fica ali bem perto

O Cruéis Tentadores prepara o Na Rua! com a Ômega Cia de Dança, muitos gatos pela cidade! Aguardem!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Artigo de Marcelo Souza Brito no A Tarde

Uma reflexão sobre cultura, política, espaço e gente!!!!!!!
acompanhem
http://www.pedraafiada.blogspot.com.br/
Caldeirão Cultural (?)
Marcelo Sousa Brito Ator e diretor, mestrando em artes cênicas pela UFBA

Já estamos cansados de ouvir falar que a Bahia é um caldeirão cultural. Mas o que pouco se fala é que nesta mesma Bahia existe uma Bahia que o próprio baiano desconhece: a Bahia que se encontra no fundo deste caldeirão.

Afastadas dos grandes centros urbanos, as cidades de pequeno porte vivem às margens do desenvolvimento cultural e lutam para manter vivas suas tradições e manifestações culturais.
Muitos artesãos abandonam o oficio, que, muitas vezes, é o meio de sustentar a família, porque as grandes lojas, as grandes marcas já vendem nos shoppings versões “repaginadas” de produtos que encontramos nas feiras e nos mercados. Cria-se assim uma concorrência desleal com quem não tem a propaganda nem as grandes modelos vendendo suas criações.

No interior, tanto da Bahia como de qualquer Estado brasileiro, é comum encontrar cidades nesta situação. Os governos, os patrocinadores, as grandes empresas só se interessam em financiar aquilo que está próximo do grande público, o que oferece visibilidade imediata.

Assim, o artista que está distante de onde a mídia se concentra vê o seu oficio ameaçado. Itambé é uma cidade assim. Situada no sudoeste da Bahia, entre Vitória da Conquista e Itapetinga, esta cidadezinha de aproximadamente trinta e três mil habitantes e oitenta e três anos de emancipação política vive neste momento um silêncio, um vazio cultural.

Muitas ações vêm sendo desenvolvidas e criadas para favorecer a descentralização de verbas públicas para a cultura, mas há de se pensar no atraso em que estas localidades estão em relação aos meios de informação/comunicação.

Estas verbas disponibilizadas pelos governos (Municipal, Estadual e Federal), para atender a população de forma democrática, são oferecidas através de editais, cujos formulários de inscrição são preenchidos on-line pela internet. Mas, nenhuma ação ou serviço foi oferecido para os artistas de Itambé, que em sua grande maioria ou não possui computador/internet em casa ou não teve a oportunidade de se familiarizar com a ferramenta.

Inviabiliza-se, assim, que um grupo de terno de reis da cidade, por exemplo, grave um CD para que as novas gerações conheçam esta manifestação quase em extinção. Itambé não é um caso isolado e sim mais um exemplo.Vivi, durante seis meses, o cotidiano da cidade, onde realizei a pesquisa de campo de meu projeto de Mestrado “Pedra afiada: um convite para o teatro invadir a cidade”, registrada no endereço www.pedraafiada.blogspot.com. Fui em busca de uma imagem coletiva desta cidade, em busca da opinião destes habitantes que estão ali esperando que algo aconteça: com eles e com a cidade.

Foi uma batalha diária fazer romper as barreiras construídas ao longo da história da cidade no tocante à falta de hábito dos moradores de ocupar os espaços públicos urbanos, de vencer o medo de sair de casa e enfrentar o desconhecido, o novo. Mas uma coisa não foi difícil: sentir que os itambeenses não só esperam algo acontecer como estão preparados para a mudança.

O estímulo, o acompanhamento, a assessoria, o acesso à informação é que estão faltando. Invadir a cidade e fazer o cidadão pensar, refletir, agir através da arte dá um novo vigor ao debate. Oferecer meios de pensar/viver a cidade produzindo um conhecimento que passará por gerações.

Itambé é uma cidade nova. Não encontramos obras de arte antigas ou modernas pelas ruas. Não temos no seu patrimônio nenhuma grande criação da arquitetura, mas lá, nos planaltos, montanhas e vales desta região peculiar deste Estado chamado Bahia, nós encontramos um povo disposto a defender seu lugar, a aprender a conviver com a distância, mas pronto também para saber como diminuí-la.

Os habitantes de Itambé, assim como de qualquer cidade deste imenso fundo do caldeirão chamado Brasil, querem ter os mesmos direitos e deveres sem sair de onde eles estão: longe dos grandes centros.

Mix Brasil elogia clipe do Cruéis

Vejam nossa mais nova crítica!

http://mixbrasil.uol.com.br/pride/ativismo/coletivo-cultural-baiano-arrasa-cantando-i-will-survive.html

terça-feira, 14 de setembro de 2010

sexta-feira, 27 de agosto de 2010



A videodança "Caminho" foi realizada em Salvador- Ba, numa tarde de experimentações entre dois componentes do Cruéis Tentadores, o coreógrafo Dejalmir Melo e a videomaker Gabriela Leite, em julho de 2009 e finalizada em Toulouse- França, com a composição da trilha especialmente criada pelo músico e programador chileno Franscisco Berchenko.

Foi exibido no Cine concerto Hallu-Ciné realizado em agosto de 2009 em Toulouse.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

terça-feira, 27 de abril de 2010

Estruturando o Mal

São tão fortes as coisas
mas eu não sou as coisas
e me revolto...
CD de Andrade

terça-feira, 20 de abril de 2010

E o ator André Nunes completa....


...Proposta de arte amoral, livre e ilimitada; como o estado de espírito dos que a fazem. SEDUTORES, CRUÉIS e TENTADORES. Arte de luta, de trabalho braçal e MUITA RESISTÊNCIA, na tentativa de destruir as mácaras atrás das quais nos escondemos diariamente, descobrindo e desconstruindo a verdade que está dentro de nós mesmos. Arte de acontecimento, proposta ritualística caracterizada pelo jogo entre conceitos e sensações, intelecto e instinto, estética e realidade"

Obrigada André! Seguimos...

sábado, 17 de abril de 2010

Bandeamos, a luta continua!


Ontem, aqui em Sampa, assiti o espetáculo "Ó pai ó", com o Bando de Teatro Olodum. Revi Amós Heber, companheiro de guerra. Rivaldo, Jarbas, Chica, João, Jorge, novos e antigos atores, gente boa. Me falaram que Jacian está montando um novo espetáculo. Boa Sorte! O Vila Velha é um espaço e tanto...meu primeiro espetáculo como espectadora em Salvador foi Cabaré da Raça...entrada mais que local e interessante.

Saudades imensas da Bahia, terra inesquecível, que amo como se fosse minha. O Cruéis Tentadores continua. Gabriela filmando, Léo dançando, Marcelo e sua linda pesquisa de mestrado,mobilizando Itambé. Olga com Vaga Pára, a Miniusina incansável, a Vanessa e o Dimenti, Jaqueline que não sei por onde anda, Silver viajando, Matias girando, Luis no cinema, dublando,sacudindo. Bertho,sempre compondo, em tudo. Simone, Xanda, correndo multi sempre. Amós, exagerando nas metas. Zé Carlos, sumido, excelente ator. Seu Júlio, Dona Irema, André Nunes,Uarlen, Wilsão, Taís, Carol, Kiko, Luiza, Marcia, Viviane, Pondé -corpos, luzes inesquecíveis, nossos músicos sempre prontos pra qualquer desafio. O pessoal das produções. Parceirérrimos do Gamboa, do Vila, XVIII. Eu aqui com o Ponto de Cultura Arte Garapa eo Grupo Andaime, em Piracicaba, estudando, sempre! Entre tantas outras pessoas que sempre colaboraram com seu jeito particular para nossas experiências/loucuras/essências criativas. Tantos que ainda vão chegar. Gente de trabalho!
Aprendi(o) muito com todos. Mas vcs me aguardem ....rsrrsrs...porque o contato direto, as reuniões, os risos tem que acontecer logo! Quem fica parado é pedra, senão enlouqueço.
Torço muito pelo Teatro Baiano. Torço muito pela Arte.Torço para que a cultura seja sempre o ponto de partida e alcance do ser humano.


AXÉ EVOÉEEEEEEEE!

ABALEM! MUITOOOOOOOOO!


Tati Carcanholo

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Por onde andará Wilson Melo?



Pessoas passam
figuras não
embora as imagens sejam embaralhadas
assim como a vista
a exposição de um ser pleno
aquele que dá sem perceber
corre por tantas ruas
experimenta
curte
no mercado
na vila
na sacada, olhar de todas as horas
presença viva da saudade
enigma
boemia
regresso
sempre, para o palco!


Saudades Melão..obrigada por participar da nossa jornada

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Vc sabe o que é Mal Invisível?


mudando seu discurso cômico de abordagem, a nova proposta do Cruéis Tentadores visa integrar uma discussão humana sobre as angústias e silêncios do corpo, em variadas estruturas de degradação espacial do pensamento, que se indefine diante das mudanças rápidas e brutais de um sistema onde a aparição do ser fica escondida, dando lugar somente à generalização e ao medo. quem pode encontrar uma resposta?

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Mais estas!!!

LOU LOU ATENDE! 2008/09

Com seu perfil arrebatador e chamando todas as amigas performáticas possíveis, Rainha Lou Lou desenvolve um espetáculo cheio de música, provocação e, claro, consultas e entretenimento!
Salve o Gamboa!


DOMINATRIX 2009

Em pleno bar, as atrizes cantam, dançam, interpretam e envolvem o público numa atmosfera de ilusão e sensualidade. Inspiradas em um universo que abarca clássicos da literatura erótica universal, como D.H. Lawrence, La Fontaine, Hilda Hilst e Carlos Drummond de Andrade as personagens se alternam, no palco, com as próprias atrizes, ultrapassando a fronteira entre a ficção e a realidade. O formato estético faz referência aos cabaret's alemães e as tabernas da idade média. Estrelado por Cátia Martins, Karina Allatta, Marita Ventura e Thais Alves.


Direção: Marcelo Sousa Brito


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Depoimento Gabriela Leite


O Crueis Tentadores pra mim tem como maior significado a liberdade de expressão. Pois tudo é possível no processo de criação de artistas sem limites para a produção de qualquer forma artística. Com o teatro como ponto de partida para diversas linguagens, o coletivo que foi se construindo com o carinho sensorial pela poesia da criação improvisada, onde o universo de sensações do cotidiano é a fonte principal para a construção de ideias que se relacionam com a percepção critica da sociedade. Somos tentados o tempo todo para novo e para o velho, pois não há limites entre o tempo e espaço nos processos de criação das obras realizadas pelo coletivo.
Então fazer parte desses processos é deliciosamente tentador... e como videomaker tenho necessidade de registrar tudo e tem sido uma grande fonte de experimentaçoes audiovisuais, pois qualquer movimento de um integrante do coletivo pode ser transformado em um um curta-metragem, um video clipe, um documentario, um video arte, enfim , sao diversas possibilidades de expessao e o audiovisual dialoga muito bem com as nossas necessidades expressão artísticas.


Experimeto a melhor forma de traduzir a obra teatral para o audiovisual, tentando perceber o movimento dos atores em cena para revelar assim as caracteristicas das personagens.E as intenções cénicas do colectivo são regadas de musicas, sensualidade, provocações corporais com a plateia, que também se transforma em interprete , desencadeando assim uma rede de possibilidades para o registro audiovisual. E a partir do momento em que se utiliza outra linguagem durante o espetaculo, onde os interpretes dialogam também com a Camera, acontece ai uma simbiose. O teatro torna- se audiovisual, pois depois de ser registrado esta imortalizado e é possível reassistir à apresentação. Por conta disso, o momento de captação se torna especial por não apenas ser observação do espetaculo mas pela participaçao do processo narrativo, documentando e enquadrando de acordo com a intenção da cena e compondo um ballet subjectivo de imagens de corpos e texto.



O ponto mais marcante, pra mim, foi quando à véspera de uma turne pelo interior da Bahia, do Coletivo com o espetaculo Guilda, parte dos integrantes foram assaltados e foi levado todo o figurino da peça, abalando estruralmente e psicologicamente o grupo. E com espírito de colectividade mais aguçado num processo de hibridizaçao e transformação das imperfeições com uma enérgica produção a partir de doaçoes o figurino foi recriado e a realizaçao dos Espetaculos e Oficinas foram muito interessantes, tendo exelentes resultados nos processos criativos e sendo tudo registrado em video.
As Oficinas, realizadas em Vitoria da Conquista, Poçoes e Itambé funcionaram como grande fonte de pesquisa tanto para os integrantes do curso, que ministraram as aulas como para os atores locais que participaram festivamente dos processos.
Durante essa turne, foi documentado todo o processo e realializado diversos videos experimentais entre os intevalos das oficinas e as apresentaçoes da Peça, durante as viagens de um municipio e outro, com diversas propostas de linguagens.

Santiago e a Sem cia de Dança

“Fazer parte do Cruéis Tentadores é compartilhar com criação, terrorismo poético e sabotagem de uma forma como de fato é, sem modismos nem egotismos. O intérprete é a obra. Guilda, o show, por exemplo marca uma prática de pesquisa do coletivo, agregando intervenções e autonomia do artista sobre qualquer coisa que seja cênica.” –
Matias Santiago (coreógrafo e dançarino)

Mais depoimentos sobre o trabalho

Leonardo Luz........................




Como é para vc fazer parte do Cruéis Tentadores?


É como estar no “olho do furacão”(rsrsrsr). Bricadeiras à parte, talvez seja esta uma boa metáfora, pois seria este contraditório lugar de calma e silencio, núcleo causador de transformações irreparáveis numa convulsão de acontecimentos velozes, extraordinários e por vezes temerosos, nas pessoas e no seu entorno, uma força da natureza. O Coletivo Cruéis Tentadores me proporcionou o encontro com uma nova construção estética da cena, do personagem, da narrativa....(Por aí vai!)
O Sentido libertário da condução dos trabalhos, as múltiplas facetas dos interpretes, a heterogeneidade geral, o caos emergente, tudo isso se transformou em elemento obrigatório na metodologia das montagens ali desenvolvidas, e isso transformou aquele ambiente numa espécie de “câmara catártica” onde os meus sentidos aflorados, de intérprete, poderiam caminhar por onde precisassem. É para mim, um núcleo de desenvolvimento artístico sem precedentes, não só pelas inúmeras linguagens implicadas, mas pela necessidade do desenvolvimento de uma certa autonomia na solução de problemas, que muitas vezes foram gerados na montagem, para serem resolvidos em cena. Também preciso falar da transgressão como uma forma de acordo tácito, não explícito, mas silenciosamente praticado por todos os envolvidos, chocando, contaminando ou repelindo os recém chegados, lidando sem fronteiras com o belo e grotesco, revelando segredos, explorando sensações obscuras, sendo cênico na vida e vivendo intensamente a cena. Cruel e tentador.

Como vc vê a relação do intérprete com a obra?
Incondicionalmente intensa. Não há como “passar batido” nas montagens desse núcleo. Não só pelo teor das cenas, mas pelas exigências que a obra nos faz, físicas, sensoriais e emocionais. É claro que não poderei responder isso pelos meus colegas, mas, sinto que na materialização das cenas e ambientes absurdos com os quais lidamos, há uma espécie de “empoderamento” sobre a cena e sobre a obra, a ponto de nos sentirmos a vontade o suficiente para subverte-la, recria-la, senti-la viva. Mergulhar no universo da obra torna-se praticamente obrigatório para se estar ali, ao mesmo tempo em que desenvolve um sentido de responsabilidade e proteção. É complexo!

Alguma coisa mudou na sua relação com a cena?
Sim. Creio que minha postura em cena se tornou menos formal,e que a necessidade de marcações absolutamente precisas para cena também diminuiu, para isso tive que aumentar o meu grau de concentração no ambiente da cena, para poder lidar com as muitas coisas que aconteciam simultaneamente, assim como interagir com o inusitado, sempre presente em nossas apresentações. Sinto que me tornei também um pouco mais contundente na interação com a platéia, e um pouco mais cúmplice dos meus colegas de cena.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A Flor e a náusea - Mal invisivel


Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cizenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobrefundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que triste são as coisas, consideradas em ênfase.
Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam pra casa.
Estão menos livres mas levam jornaise soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotadailude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.Suas pétalas não se abrem.Seu nome não está nos livros.É feia.
Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens macias avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.É feia. Mas é uma flor.
Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.*Porque julho será o mês das flores.
Carlos Drummond de Andrade