quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Por onde andará Wilson Melo?

Pessoas passam
figuras não
embora as imagens sejam embaralhadas
assim como a vista
a exposição de um ser pleno
aquele que dá sem perceber
corre por tantas ruas
experimenta
curte
no mercado
na vila
na sacada, olhar de todas as horas
presença viva da saudade
enigma
boemia
regresso
sempre, para o palco!
Saudades Melão..obrigada por participar da nossa jornada

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Vc sabe o que é Mal Invisível?

mudando seu discurso cômico de abordagem, a nova proposta do Cruéis Tentadores visa integrar uma discussão humana sobre as angústias e silêncios do corpo, em variadas estruturas de degradação espacial do pensamento, que se indefine diante das mudanças rápidas e brutais de um sistema onde a aparição do ser fica escondida, dando lugar somente à generalização e ao medo. quem pode encontrar uma resposta?

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Mais estas!!!

LOU LOU ATENDE! 2008/09
Com seu perfil arrebatador e chamando todas as amigas performáticas possíveis, Rainha Lou Lou desenvolve um espetáculo cheio de música, provocação e, claro, consultas e entretenimento!
Salve o Gamboa!
DOMINATRIX 2009
Em pleno bar, as atrizes cantam, dançam, interpretam e envolvem o público numa atmosfera de ilusão e sensualidade. Inspiradas em um universo que abarca clássicos da literatura erótica universal, como D.H. Lawrence, La Fontaine, Hilda Hilst e Carlos Drummond de Andrade as personagens se alternam, no palco, com as próprias atrizes, ultrapassando a fronteira entre a ficção e a realidade. O formato estético faz referência aos cabaret's alemães e as tabernas da idade média. Estrelado por Cátia Martins, Karina Allatta, Marita Ventura e Thais Alves.
Direção: Marcelo Sousa Brito

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Depoimento Gabriela Leite

O Crueis Tentadores pra mim tem como maior significado a liberdade de expressão. Pois tudo é possível no processo de criação de artistas sem limites para a produção de qualquer forma artística. Com o teatro como ponto de partida para diversas linguagens, o coletivo que foi se construindo com o carinho sensorial pela poesia da criação improvisada, onde o universo de sensações do cotidiano é a fonte principal para a construção de ideias que se relacionam com a percepção critica da sociedade. Somos tentados o tempo todo para novo e para o velho, pois não há limites entre o tempo e espaço nos processos de criação das obras realizadas pelo coletivo. Então fazer parte desses processos é deliciosamente tentador... e como videomaker tenho necessidade de registrar tudo e tem sido uma grande fonte de experimentaçoes audiovisuais, pois qualquer movimento de um integrante do coletivo pode ser transformado em um um curta-metragem, um video clipe, um documentario, um video arte, enfim , sao diversas possibilidades de expessao e o audiovisual dialoga muito bem com as nossas necessidades expressão artísticas.
Experimeto a melhor forma de traduzir a obra teatral para o audiovisual, tentando perceber o movimento dos atores em cena para revelar assim as caracteristicas das personagens.E as intenções cénicas do colectivo são regadas de musicas, sensualidade, provocações corporais com a plateia, que também se transforma em interprete , desencadeando assim uma rede de possibilidades para o registro audiovisual. E a partir do momento em que se utiliza outra linguagem durante o espetaculo, onde os interpretes dialogam também com a Camera, acontece ai uma simbiose. O teatro torna- se audiovisual, pois depois de ser registrado esta imortalizado e é possível reassistir à apresentação. Por conta disso, o momento de captação se torna especial por não apenas ser observação do espetaculo mas pela participaçao do processo narrativo, documentando e enquadrando de acordo com a intenção da cena e compondo um ballet subjectivo de imagens de corpos e texto.
O ponto mais marcante, pra mim, foi quando à véspera de uma turne pelo interior da Bahia, do Coletivo com o espetaculo Guilda, parte dos integrantes foram assaltados e foi levado todo o figurino da peça, abalando estruralmente e psicologicamente o grupo. E com espírito de colectividade mais aguçado num processo de hibridizaçao e transformação das imperfeições com uma enérgica produção a partir de doaçoes o figurino foi recriado e a realizaçao dos Espetaculos e Oficinas foram muito interessantes, tendo exelentes resultados nos processos criativos e sendo tudo registrado em video. As Oficinas, realizadas em Vitoria da Conquista, Poçoes e Itambé funcionaram como grande fonte de pesquisa tanto para os integrantes do curso, que ministraram as aulas como para os atores locais que participaram festivamente dos processos. Durante essa turne, foi documentado todo o processo e realializado diversos videos experimentais entre os intevalos das oficinas e as apresentaçoes da Peça, durante as viagens de um municipio e outro, com diversas propostas de linguagens.

Santiago e a Sem cia de Dança

“Fazer parte do Cruéis Tentadores é compartilhar com criação, terrorismo poético e sabotagem de uma forma como de fato é, sem modismos nem egotismos. O intérprete é a obra. Guilda, o show, por exemplo marca uma prática de pesquisa do coletivo, agregando intervenções e autonomia do artista sobre qualquer coisa que seja cênica.” –
Matias Santiago (coreógrafo e dançarino)

Mais depoimentos sobre o trabalho

Leonardo Luz........................
Como é para vc fazer parte do Cruéis Tentadores?
É como estar no “olho do furacão”(rsrsrsr). Bricadeiras à parte, talvez seja esta uma boa metáfora, pois seria este contraditório lugar de calma e silencio, núcleo causador de transformações irreparáveis numa convulsão de acontecimentos velozes, extraordinários e por vezes temerosos, nas pessoas e no seu entorno, uma força da natureza. O Coletivo Cruéis Tentadores me proporcionou o encontro com uma nova construção estética da cena, do personagem, da narrativa....(Por aí vai!) O Sentido libertário da condução dos trabalhos, as múltiplas facetas dos interpretes, a heterogeneidade geral, o caos emergente, tudo isso se transformou em elemento obrigatório na metodologia das montagens ali desenvolvidas, e isso transformou aquele ambiente numa espécie de “câmara catártica” onde os meus sentidos aflorados, de intérprete, poderiam caminhar por onde precisassem. É para mim, um núcleo de desenvolvimento artístico sem precedentes, não só pelas inúmeras linguagens implicadas, mas pela necessidade do desenvolvimento de uma certa autonomia na solução de problemas, que muitas vezes foram gerados na montagem, para serem resolvidos em cena. Também preciso falar da transgressão como uma forma de acordo tácito, não explícito, mas silenciosamente praticado por todos os envolvidos, chocando, contaminando ou repelindo os recém chegados, lidando sem fronteiras com o belo e grotesco, revelando segredos, explorando sensações obscuras, sendo cênico na vida e vivendo intensamente a cena. Cruel e tentador.
Como vc vê a relação do intérprete com a obra? Incondicionalmente intensa. Não há como “passar batido” nas montagens desse núcleo. Não só pelo teor das cenas, mas pelas exigências que a obra nos faz, físicas, sensoriais e emocionais. É claro que não poderei responder isso pelos meus colegas, mas, sinto que na materialização das cenas e ambientes absurdos com os quais lidamos, há uma espécie de “empoderamento” sobre a cena e sobre a obra, a ponto de nos sentirmos a vontade o suficiente para subverte-la, recria-la, senti-la viva. Mergulhar no universo da obra torna-se praticamente obrigatório para se estar ali, ao mesmo tempo em que desenvolve um sentido de responsabilidade e proteção. É complexo!
Alguma coisa mudou na sua relação com a cena? Sim. Creio que minha postura em cena se tornou menos formal,e que a necessidade de marcações absolutamente precisas para cena também diminuiu, para isso tive que aumentar o meu grau de concentração no ambiente da cena, para poder lidar com as muitas coisas que aconteciam simultaneamente, assim como interagir com o inusitado, sempre presente em nossas apresentações. Sinto que me tornei também um pouco mais contundente na interação com a platéia, e um pouco mais cúmplice dos meus colegas de cena.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A Flor e a náusea - Mal invisivel

Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cizenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobrefundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que triste são as coisas, consideradas em ênfase.
Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam pra casa.
Estão menos livres mas levam jornaise soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotadailude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.Suas pétalas não se abrem.Seu nome não está nos livros.É feia.
Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens macias avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.É feia. Mas é uma flor.
Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.*Porque julho será o mês das flores.
Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Mal invisivel

Grande silêncio
Eu já me sinto tão anestesiado desta situação que não sei do que falar. Depois do que minha vida se tornou; Um espetáculo, uma aberração. Não sei mais do que falar: Da morte ou do amor? Tanto faz. É tudo quase a mesma coisa. Quando se encontra nesta situação amar ou morrer dá no mesmo. Não temos futuro, não temos mais vida.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Fim de semestre

Para quando ir, partir, mansa despedida
Só os traços de uma pele morna reencontrada
Sonhos com lugares já visitados
Ilusionismo certo de nós e nada mais
Assim que puder escapo das feridas
ganho sentido mesmo sem o aço da vida secreta
E, permanentemente, desfaço algo que já não interessa a nenhuma fraqueza
O antitratado desta paisagem concreta
Com a conta no pescoço
amarro a sensação da fé serena
do colorido das pedras que se enroscam no meu peito farto
sempre querendo mais e mais inchaço
que de repente signifique alguma forma de ganho
artéria, matéria, colagem.
Para quando não souber mais palavras,
nenhuma segurança sequer
Ainda que frustre o silêncio habitado e inusitado da idéia
Livro santo dos meus próprios guerreiros
a circular na atmosfera clara e absoluta do meu pleno afeto.
Chovendo, chovendo barbaramente
com a flecha lançada ao sol
nesta justiça perene e contraditória dos opostos necessários
E o para sempre ficando pra mais tarde...terra...semente.
Tatiane C.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Algo além de uma forma geométrica?

Para Amós Heber
A pior coisa de se pensar em fazer uma pesquisa científica é deixar o orgulho de lado em nome da escolha. Cada vez que você encontra uma frase, uma foto, um argumento, dá vontade de fazer dez mestrados e mais uns tantos doutorados, porque não seria algo que vc "desencanaria" facilmente em sua trajetória, nem tampouco algo que não gerasse uma transformação.
A questão é que acredito que o profissional de artes ou, como diz a brincadeira e espero que seja "o ser humano profissional", necessita sempre estar em contato. Acho até engraçado nas jornadas de exposição de pesquisas, que cada um tenha descoberto que linha seguir e lute por ela, pelo menos a explore até um pseudo final de vida, academica ou não. Nestes meus 23 anos de teatro já mudei tantas vezes, com avaliações positivas e negativas, como pólos que não chegam a se desencontrar, gosto mais de pensar nos meus 29 por aí.
Cada processo, embora lide com certas lógicas da criação, é único e eu como ser sensível me enxergo passando por várias nuances diferentes dentro deles, quase sem defesa, apenas com registros singelos, principalmente quando me imagino como atriz, este ser que constrói sua carne a partir da mudança, que passa por processos diferenciados.
Não se trata de: ah, vai fazer um trabalho comercial então, porque não é bem essa a linha. A questão é, existiriam mais possibilidades, até mesmo encarando o erro, se os temas e conceitos fossem outros, se pudesse falar aqui aquilo que só encontrarei "orientação" no Japão, se não precisasse de tamanhos enquadramentos ou de tamanha elocubração pra dizer? Afinal, o teatro superou a comunicação enquadrada em sua essencialidade e projeto social? Ele precisa disso? Ele existe? E o que eu preciso? Eu só sei falar português. Já sei. Tenho uma pesquisa e não sei fazê-la melhor do que ninguém. Não consigo deixar colaborações, mas ainda preciso de uma bolsa, materna.
tc